May 6, 2007
Já saiu no Brasil a tradução do livro “Why business people speaks like idiots” (Por que as pessoas de negócios falam como idiotas, na tradução tupiniquim), de Brian Fugere e outros, pela Editora BestSeller, do Rio de Janeiro. O subtítulo “Um guia de combate à embromação” explica melhor sobre o que trata o livro, que se estende sobre outros assuntos. A mensagem central é: fuja da embromação e do teatro corporativo e seja você mesmo. A autenticidade além de ser uma forma de se destacar na mesmice permite que você se apresente e não aquela idéia requantada que todo mundo conhece e que muitas vezes repete sem saber exatamente o que é.
Embora seja preciso algum talento para fazer sucesso neste mundo, alguma ousadia pode servir ao menos como um diferencial, mais um passo rumo à diferenciação neste mercado de trabalho tão concorrido principalmente entre os mais jovens, onde o desemprego é duas vezes maior que em outras faixas etárias, resultado da estagnação econômica brasileira que já vem pelo menos de 1980 pra cá. Acho que teremos nos próximos anos dois problemas a enfrentar: de um lado uma massa de gente semi-preparada por cursos de qualidade duvidosa, ansiosa por oportunidades pelas quais lutaram e até pagaram para conquistar. Por outro lado uma massa de jovens conscientes e preparados em boas (e eventualmente más) escolas disputando com essa massa e entre si por vagas ainda muito escassas.
Ainda vivemos num país com pessoas muito jovens já aposentadas, que trazem um ônus para a sociedade e, como costumam continuar no mercado de trabalho, disputando com certas vantagens, as vagas que o país cria. A aposentadoria, além de prêmio por uma vida dedicada ao trabalho é uma forma de criar oportunidades para aqueles que estão começando suas vidas profissionais. Portanto a briga é grande e a tensão social decorrente certamente contribui para a violência que observamos todos os dias. Um pouco menos de embromação hoje é desejável, mas no futuro será essencial.
May 3, 2007
Começa mais uma CPI, aliás são duas, uma na Câmara e outra no Senado. As CPIs no congresso nacional perdeu muito com a passagem do PT da condição de oposição para situação. Acho que os políticos do PT eram melhor preparados para a tarefa e gozavam de credibilidade. Hoje aqueles que exercem a oposição são muitas vezes aqueles que se defendiam das acusações das anteriores. Além disso as três CPIs do primeiro governo Lula investigaram mais ou menos a mesma coisa sem chegar a nenhum resultado prático a não ser servir de palco para atuações nada convincentes de testemunhas, acusados e até de parlamentares, muitas vezes pouco interessados em investigar qualquer coisa. Ouvi falar que os membros do PFL estão se organizando, montando um grupo de assessoria técnica, o que pode signiificar um aprendizado com os próprios erros. O PFL e o PSDB tentam passar ao país um aimagem de que são competentes, ou pelo menos mais competentes que os incompetentes administradores do “apagão aéreo”. O fato é que via de regra os governos não se notabilizam pela “boa gestão”, mas sim pela boa divisão de cargos, o que não costuma colocar a pessoa certa na posição certa (salvo para não fazer o certo).
Essa CPI pode ter uma função nova: obrigar o governo Lula a “abrir as pernas” e deixar passar indicações menos “confiáveis” para os cargos do segundo escalão, até agora sendo preenchidos com cuidado pelo governo, embora procurando atender aos interesses partidários. Claro que possivelmente não haja como saciar o “apetite” de tantas bocas, talvez por isso estejam empurrando com a barriga para evitar a deserção daqueles que ainda esperam alguma vaga no governo. Espera-se que essa CPI não seja apenas para desestabilizar o governo, fundamentado na popularidade de Lula, e não numa aliança consistente e programática. Afinal, qual debate político se trava hoje. Nem mesmo a abertura de uma CPI causa qualquer comoção ou incentiva qualquer debate, num país sem grandes discussões nacionais.
May 3, 2007
Já tive algumas chances de atuar como gerente na minha empresa, substituindo o titular nas suas férias. Um fenômeno interessante que observo nestes períodos é o da invisibilidade, ou da falta dela. É que quando assumia a função, mesmo que por um curto período, pessoas com quem nunca havia tido qualquer contato passavam a me telefonar, nem que fosse para saber quando o titular retornaria. Mais que isso, pessoas que sempre me ignoraram sumariamente passaram a me “enchergar”. Isso me deixava com a sensação de que ao fim do curto período voltaria à minha condição “normal”, ou seja invisível. Aquele cara que me telefonou, na semana seguinte passa direto por mim e vai falar como o meu chefe. Essa experiência é um exemplo da máxima “rei posto, rei morto”. Não é à toa que tanta gente que tem algum destaque na vida em função da posição que ocupa luta como louco para manter o “status”, pois sabem que perdendo o posto perde o destaque, “morre”. Daí por que a luta política em Brasília é como é.
Não é nada bom perder destaque na vida, sei bem, mas prefiro pensar que a vida é muito mais que simples holofote. Claro que a maioria das pessoas precisa desse holofote para ganhar mais, já que nessa vida de tanta concorrência o destaque, ou endomarketing, vale muito para ter sucesso. Importante sempre lembrar que, assim como meu períodos de vizibilidade, o sucesso daqueles que são bons para aparecer e ruins para fazer acontecer é efêmero.