Movido por Desafios

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Engenharia de Valor


Imagem de ASBO_Allstar

Eu sou engenheiro químico. Na UFC haviam ainda cursos de Engenharia Mecânica, Civil, Elétrica e de Produção. Esses dias conheci um engenheiro de valor. Não que eu não tenha valor, mas é que inventaram esse novo ramo da engenharia. Na verdade é um caso clássico de confusão entre Engenharia e Administração. Para muita gente o engenheiro é o administrador que sabe fazer conta. Tanto que em outros lugares eu vi o termo administração de valor.

Basicamente, engenharia de valor:

“É um processo sistemático de análise de um produto, projeto, sistema ou serviço sob a ótica das funções a que se destina, de maneira a estimular a busca de alternativas que cumpram estas funções com menores custos de investimento e operação.”

Fonte: PMI MG

No meu caso estou trabalhando no planejamento e justificativa de um projeto e a engenharia de valor entra na hora de avaliar o potencial de retorno de investimento do mesmo, me baseando na distância entre o status atual dos processos e o status final depois de ser implantado o projeto. Pior é que essa tal de EV foi inventada (provavelmente com outro nome) na época da segunda guerra mundial. Pano Rápido!

O Princípio da Sabedoria, por Gutemberg B. de Macedo

O livro “O Princípio da Sabedoria” de Gutemberg B. de Macedo, um consultor de carreiras, indica a leitura dos Provérbios de Salomão para orientar a carreira e a vida particular, como um bom caminho para se chegar à sabedoria. No livro aprende-se que enquanto inteligência é a capacidade de adquirir e reter conhecimento, sabedoria é a capacidade de aplicar corretamente esse conhecimento. E os provérbios de Salomão, segundo Gutemberg, são uma ótima fonte para se conseguir agir com sabedoria.

No livro, Gutemberg mostra como muitas das dicas encontradas em manuais de auto-ajuda já estavam nesse “livro” escrito muitos anos antes de Cristo. Embora fuja do rótulo de livro de auto-ajuda e de livro religioso, não é possível negar que “O Princípio da Sabedoria” não deixa de ser ambos.

Estudei minha vida toda em um colégio católico, fiz até primeira comunhão, mas hoje não me considero religioso. No entanto, vira e mexe me vejo pensando sobre o fato absoluto da vida: o de que inevitavelmente vamos morrer. Fico admirado que possamos acordar pela manhã, passarmos oito horas trabalhando, comendo e procurando soluções para problemas e quando chega a noite pegamos no sono sem ficarmos desesperados com a morte. Construímos toda uma sociedade organizada apesar da morte. A novela, o jogo de futebol e principalmente a religião sem dúvida ajudam bastante para que não fiquemos malucos pensando no inevitável. A busca pela auto-superação, pelo bom viver é que torna essa vida interessante e não insuportável, como um pesadelo de longa duração em que se sabe se terá um final triste.

Muita gente como eu não possui religião, mas gostaria que de fato existisse um paraíso, um Deus, um sistema de recompensa divino após a morte, embora não acredite nisso. Além disso, gosto de pensar que estou levando minha vida respeitando a maioria dos preceitos que aprendi na escola, ou seja, estou sendo um bom menino, seja para o Papai Noel, seja para Jeová. O livro de Gutemberg, embora um pouco carregado demais do aspecto religioso, funciona bem para fundamentar esse comportamento, utilizando outro caminho original para mostrar que para ser um bom profissional temos que buscar ser um bom ser humano. Que sucesso não implica em atingir o mais alto cargo da companhia, muitas vezes ocupado por pessoas muito inteligentes, mas que não possuem nem um pouco de sabedoria.

O Que É Qualidade de Vida?

Há uns anos me deparei com a pergunta. Fiquei assustado porque não sabia responder uma questão que aparentemente era tão simples. Procurei no Aurélio assim que cheguei em casa o que era qualidade, o que não me ajudou muito. Depois recorri ao Google e descobri o WHOQOL-100, um questionário desenvolvido pela OMS, organização mundial da saúde, com cerca de 100 perguntas, para avaliar a qualidade de vida de um paciente, incluindo aspectos físicos, psicológicos, sociais e até espirituais. Sua origem vem do reconhecimento de que não vale tudo para se preservar a saúde e a vida. É o caso dos pacientes que se submetem a tratamentos dolorosos. Não raro estes preferem a morte a continuar gastando os seus últimos momentos de vida sofrendo mais com um tratamento, que é opcional, do que com a doença.


Imagem de escuderopaolo

O conceito de qualidade de vida, portanto, realmente não é simples. É subjetivo, pois depende das espectativas e da cultura de cada um. Para mim é como um checklist, onde cada um define cada ítem da lista a ser avaliada. Pode conter os 10 mandamentos, as 13 virtudes de Benjamim Franklin ou ensinamentos de algum líder espiritual, como Ghandi ou Martin Luther King. Acho que deveríamos nos preocupar com o assunto e regularmente avaliar se estamos conseguindo obter a qualidade de vida que buscamos. Se é complicado montar a tal lista, imagine torná-la uma realidade.

Acabando com as Reuniões Improdutivas


Imagem de Esthr

Uma das coisas que aprendi lendo as tiras do Dilbert é que a função de toda reunião é marcar outra reunião. Piadas a parte, de fato uma das coisas mais comuns após uma reunião é constatar que será preciso outra para tratar das ações decididas naquela reunião, iniciando um ciclo vicioso.

O pior é que a reunião é um elemento importante para promover a colaboração entre pessoas, algo essencial na vida em sociedade em geral e na corporativa em particular.

Já vi boas dicas sobre organização de reuniões, como só convidar quem de fato tenha algo contribuir, dispensando aqueles que precisam apenas ser informadas (para estes basta enviar a ata). Hoje Seth Godin publicou em seu blog uma lista de dicas muito boa para tornar as reuniões produtivas, porém não muito fáceis de implementar:

- Cinco minutos para cada pauta e não mais que quatro pautas;

- Dê material para ser lido ou tarefas a serem realizadas antes de cada reunião para cada participante, condicionando a participação na mesma à leitura ou realização da tarefa;

- Cobre penalidade em dinheiro para quem chegar atrasado;

- Faça a reunião sem cadeiras (acho que só dá certo se a reunião realmente durar apenas 20 minutos);

- O organizador da reunião deve enviar um email com as tarefas de cada participante no máximo dez minutos após o fim da reunião;

- Crie um quadro em local público, onde os participantes possam avaliar a reunião quanto a sua utilidade, com nota de 1 a 5  (para mim a melhor delas).

Fonte: Seth’s Blog

O Cabeção Atrapalha


Imagem de colodio

Há uma tendência no serviço público a ter estruturas administrativas inchadas, o que se chama de overhead em inglês e cabeção em português. Pior que isso: esses organismos cabeçudos costumam ter corpos franzinos. Ou seja, falta índio e sobra cacique. Esse exemplo do Senado é vergonhoso, mostra de que não há o menor compromisso com a boa administração pela casa, cheia de gente querendo se apoveitar de dinheiro público.

A mídia adora reclamar quando o governo faz contratações. Dizem ser “aumento de gasto”. Quem contrata acha que está investindo, oferecendo melhores serviços para a população. Quem tem compromisso com modelos neoliberais, no qual um real investido no estado é um real perdido, esperneiam.

Não tenho a menor dúvida que boa parte dos que foram contratados o foram para alimentar estruturas burocráticas, que funcionam mal um, com dez ou com mil funcionários. Dizer simplesmente que os gastos aumentaram é uma crítica vazia, puramente plafletária. É preciso estar continuamente avaliando as necessidades de contratação e de evolução dos processos. Só assim se pode dizer se deve-se fazer um ou outro.

No judiciário, por exemplo, onde se vê que há um número absurdo de processos a serem jugados, para um número ridículo de profissionais de direito envolvidos (a começar pelos juízes), não há dúvida que há necessidade de contratação. No entanto me parece claro, olhando de fora, que não há recursos públicos suficientes para contratar juízes e defensores públicos suficientes para atender a demanda do país. Não seria nem mesmo razoável.

Assim, parece claro que é preciso repensar os processos, as regras. Criar mecanismos de aceleração dos processos, as tais súmulas vinculadas, por exemplo. Nem sempre contratar resolve, mas muitas vezes a contratação pode ser o melhor caminho. Escolher por um caminho ou por outro não é simples. Daí minha argumentação de que simplesmente dizer que houve aumento de gastos, de que isso é necessariamente ruim, de forma genérica é uma argumentação mais que pobre, quase que desonesta.

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