Movido por Desafios

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Mofando no Aeroporto de Confins

Ontem fiquei a tarde inteira no aeroporto de Confins, que fica à pelo menos 30 minutos da cidade de BH (isso se o taxista for a 120 km/h e não pegar congestionamento). Não que tenha sido um sofrimento assim tão grande, deu para terminar de ler um livro, dar uma olhada numa revista e ver TODOS os livros expostos na livraria do aeroporto. Cruzei o raio-X do aeroporto umas quatro vezes e me ofereceram um jornal local (ultratendencioso) umas 10 vezes!

Eu tentava chegar ao Rio de Janeiro após um reunião em Belo Horizonte. O vôo das 14h05min foi cancelado por problemas no motor quando os passageiros já haviam embarcado. Segundo o pessoal da TAM, a GOL se recusou a acomodar os passageiros em seu vôo das 14h35min, alegando que isso atrasaria o seu vôo.

Assim, a TAM informou que os passageiros só teriam duas alternativas: esperar o vôo de 18h45min ou ir para o Rio através de São Paulo.

Quem optou por esperar mais de quatro horas pelo vôo direto para o Rio teve a “grata” surpresa de que este também foi cancelado, meia hora antes do horário previsto para a decolagem (18h43min).

A solução dada pela TAM foi colocar os seus passageiros no vôo da GOL que partia às 19h10min, descendo no Galeão e não no Santos Dumont, como no caso do vôo da TAM. Cheguei em casa oito e meia da noite (umas cinco horas depois do previsto).

Mais relevante que o tempo desperdiçado, é a reflexão sobre a conexão aérea entre Rio de Janeiro e Belo Horizonte. As duas companhias aéreas líderes do país, GOL  TAM, têm apenas dois vôos diários cada uma, num intervalo de 4 horas, sendo que os vôos são quase geminados, ou seja, por volta das 14 h e por volta das 19 h. Não seria o caso de pelo menos uma das empresas colocar um vôo em torno das 16 h? Esse vôo seria ideal para quem quer passar apnas a manhã ou almoçar na cidade.

Outra coisa clara é que não há um bom relacionamento entre GOL e TAM. Concorrer é uma coisa, sabotar é outra. Em situações críticas, como a falha de uma aeronave, num país que possui praticamente apenas duas companhias aéreas, seria razoavel que o interesse dos passageiros estivesse acima da concorrência de mercado. Com a falha operacional de uma aeronave da TAM, não seria razoável que a GOL cooperasse com esta, dado que os passageiros da TAM de hoje podem ser os da GOL de amanhã? A falta de cooperação pode prejudicar ambas, não apenas a TAM.

Essa falta de vôos demonstra, mais que a propagada oficial, a real situação econômica do Rio de Janeiro, já que nas quatro horas em que fiquei esperando o próximo avião para o Rio saíram várias aeronaves para São Paulo. Sinceramente, não pretendo voltar tão cedo a BH, tanto pela falta de vôos pro Rio de Janeiro como pela distância do aeroporto à cidade. E o Governador Aécio, que gosta tanto da Cidade Maravilhosa, poderia aproximar as duas cidades com algumas medidas simples como as que eu propus acima.

Férias no Ceará

Este blog está de férias. As férias do blog ocorreram por conta do trabalho do blogueiro, mas agora este também entra de férias e vai pro Ceará, sua terra natal.

Não vou nem para Fortaleza, nem para Jericoacara, como a maioria dos colegas que passam férias na minha terra. Vou mesmo é para o sertão perto de Granjeiro, lugar em que fica o sítio da família. Por lá tem luz elétrica desde quando ainda era criança, mas o telefone não chegou. Há a promessa de inauguração de uma antena de celular da Claro numa cidade próxima no mês de Maio. Como só vou ficar uns dias, não estarei lá para presenciar este grande momento e não poderei publicar nada neste blog durante as férias. Bom tempo para matar saudade da família e ler bastante. Serão quase 10 horas de vôo e mais quatro de carro (ida e volta).

Daí fica a promessa de postar algumas imagens da viajem no flickr e encerrar as férias do blog assim que retornar, no final do mês.


Imagem de Fábio Pinheiro

Assista Homem-Aranha de Graça

Pelo menos as séries de animação da década de sessenta. Saudosismo pouco é bobagem.

Fonte: Omelete

O Chefe Tem Sempre Razão?

Uma frase que aprendi vendo desenho do Pato Donald foi que o cliente tem sempre razão. O desenho é clássico. Donald trabalha num hotel e seu gerente o ensina que o cliente tem sempre razão dando um botom com essa frase estampada para o pato mais mal humorado da Disney. Daí até aparecer um cliente mala foi um passo e claro que Donald, mesmo tendo evitado o quanto pôde, acaba estourando.

Nunca tive problemas com clientes e até entendo a ideia da frase, já que no final sabemos que só sobrevivemos quando temos clientes para nosso trabalho. Claro que o cliente ter sempre razão não implica que ele possa nos desrespeitar, ele representa o seu ganha-pão. Mas e o chefe, tem sempre razão? Na minha opinião não. Minha implicância é que vejo essa ideia sendo divulgada no ambiente de trabalho principalmente quando estramos tratando de um alto executivo da empresa ou principalmente do dono.

No trabalho já vi várias vezes funcionários mais velhos afirmando que quando recebem uma ordem direta sempre devem cumpri-las sem questionamentos. Costumam entreolhar-se com um sorriso quando falam isso, como quem revela possui grande sabedoria com suas palavras. Se o chefe nos passa uma orientação devemos cumpri-la imediatamente sem pestanejar, tal qual um soldado com um superior imediato?

Nos tribunais de Nuremberg, muitos militares alegaram que estavam cumprindo ordens quando participaram do Holocausto de judeus durante a Segunda Grande Guerra. Esse argumento não salvou ninguém. Ou seja, um tribunal interpretou que militares deveriam ter desobedecido ordens quando estas eram tão claramente desumanas. Neste caso extremo é mais fácil entender. E nos casos mais corriqueiros, que envolvem ordens superiores na empresa, que consideramos equivocadas e muitas vezes prejudiciais à empresa sendo executada mesmo assim. O que fazer quando discordamos do chefe?

Para mim há duas situações. Quando estamos falando de uma ordem que veio da alta de um presidente ou diretor da empresa, aos quais não temos acesso, acho que não tem jeito. Podemos no máximo manifestar nossa discordância com o chefe imediato. Acho que a palavra final é do chefe, mas não se pode deixar de lembrar que um subordinado não serve apenas para cumprir ordens, mas também dar sua opinião. Claro que o chefe pode simplesmente ignorá-la, mas pelo menos cumprimos nosso papel.

Não falo em desobedecer ordens nem de contestar sobre todas as orientações e ordens. Acho que um bom chefe tem de ter conselheiros e ouví-los mesmo quando vêm de subordinados. Cabe ao subordinado estar atento e disposto a buscar ajudar o seu chefe, da forma menos invasiva possível, desde que este esteja receptivo a tais intervenções externas.

Em casos extremos, como no dos militares alemães, o melhor é desobedecer, senão desertando, pelo menos ignorando a ordem, como no caso do único médico alemão absolvido em Nuremberg, que aplicava placebo em suas cobaias humanas.

Cabe a cada um pensar se mantém-se trabalhando com um chefe que não valoriza suas opiniões. No mundo corporativo você pelo menos não corre o risco de ser preso ou fuzilado por ter opinião própria. Apenas perde o emprego.

Conversando A Gente Aprende


Imagem de Brajeshwar

Ultimamente eu tenho conversado muito. Com meu chefe, com o pessoal de TI, com fornecedores de software corporativos e seus clientes e com os colegas de trabalho. Incrível como dessas conversas surgem ideias novas e como nos forçam a repensar aquilo que havíamos concluído num outro dia.

Quando esses papos aumentam de frequencia duas coisas acontecem. Por um lado você se torna o chato. Aquele cara que fica voltando ao mesmo assunto. Isso porque, como disse, uma conversa puxa a outra e vira e mexe eu estou “revendo meus conceitos”. Por outro lado nesses papos descobrimos muitas coisas.

No ambiente corporativo, uma boa forma de conversar sem parecer que está fazendo fofoca de corredor é convocando reunões, mas a conversa mais informal, por alguma razão, flui melhor, envolve, em geral, menos gente e talvez por isso renda mais. Costumam ser mais curtas, porém também costumam ser mais reincidentes, pois dificilmente se chega a uma conclusão.

Num desses papos, depois de uma reunião, descobri por um colega que passou um tempo na Alemanha que por lá não tem muita conversa de corredor. Quando se quer conversar se faz uma reunião. Isso quer dizer que eles são bastante concentrados no trabalho e não aceitam barulho ou conversas que o interrompam. Assim, sempre saem do trabalho na hora correta e ainda se dão ao luxo de trabalhar apenas meio-período na sexta-feira. Ou seja, não trabalham mais que nós, até ao contrário, mas são mais eficientes, pois aproveitam melhor o dia. Isso é só uma coisa que aprendi esses dias. Muitas outras são relacionadas ao trabalho mesmo.

Ainda não cheguei a uma conclusão sobre essa história se conversar no trabalho é bom ou ruim, mas certamente é instrutivo. No meu caso aprendo sobre a história da empresa, o que ajuda a entendê-la melhor. Aprendo sobre ferramentas disponíveis de que nunca ouvi falar mas da qual precisava à tempos.

Pela natureza social do nosso país, acho que tal comportamente até deveria ser incentivado, já que permite a difusão, mesmo que desetruturada, de informação e do conhecimento. E se estruturar, talvez se ganhe em eficiência, mas com certeza não virá com gosto de café do corredor.

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