Movido por Desafios

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Nasci em 9 de novembro de 1976 em Fortaleza e sobre os anos seguintes não tenho muito o que dizer, mas lembro bem do dia em que nos mudamos para a rua Padre Roma, no Bairro de Fátima. Eu devia ter por volta dos quatro anos. Nunca vou me esquecer de como ventava no térreo do prédio. Vinte e tantos anos depois, quando deixei a casa dos meus pais, já não me parecia ventar tanto. Não sei se é o “scale-up” que experimentamos com o crescimento ou se a rota dos ventos foi modificada pelas novas construções na área. Lembro-me bem também da minha mãe me levando para me matricular no Colégio Nossa Senhora das Graças (CNSG), no mesmo bairro, com muita pressa. Estudei neste colégio dos 4 aos 19 anos. A escola é tão marcante na minha vida que minhas memórias são mais associadas à série (1ª, 2ª,3ª, …) do que ao ano ou idade que tinha na época: isso eu preciso fazer as contas pra saber.

Assim, para mim não existe 1981, mas sim “quando estava no jardim I”. Uma das poucas coisas que eu ainda associo a uma data (ano) específica é futebol: Fluminense foi campeão brasileiro em 1984 e tri-campeão Carioca em 1985, o Brasil perdeu pra França em 1986, 1998 e 2006, etc…

Lembro-me que, na época de escola, um professor de educação física (técnico da seleção de vôlei do colégio) disse que sempre nos lembraríamos daquela época como “a melhor época de nossas vidas”. Acho que já naquele tempo achei a idéia meio catastrófica: significava que após o 3º ano do segundo grau (atual ensino médio) nossa vida seria uma droga! Sem dúvida naquela época eu tinha muito mais amigos (ou colegas) do que hoje e estava mais próximo da minha família. Gostava tanto do colégio que, mesmo tendo entrado no curso de Química Industrial da ETFCE (Escola Técnica Federal do Ceará, hoje CEFET), continuei estudando no CNSG. De certo modo passamos aqueles anos todos nos preparando para obter o que tenho hoje: um emprego e uma família. Por mais que tenha gostado da minha época de colégio NSG acho que nunca fui tão feliz quanto sou agora.

Terminada “a melhor época de nossas vidas”, entrei para a faculdade de Engenharia Química na Univ. Federal do Ceará (UFC), onde estive entre 1995 e 2000, exceto pelo ano em que fui bolsista do Programa Sanduíche da CAPES/DAAD na Universidade de Hamburg-Harburg (TUHH), em Hamburgo, Alemanha. Mesmo que profissionalmente não tenha sido o que eu esperava (aprender algo muito diferente do que poderia aprender na UFC) do ponto de vista pessoal foi muito bom, tendo inclusive aberto muitas “janelas”. Talvez tenha sido pelo meu ano na Alemanha que eu tenha sido escolhido dentro da minha turma de engenharia para entrar no Mestrado do Departamento de Física da UFC. Assim tenho a formação de Eng. Químico e em Física.

Cheguei a iniciar meu doutorado, mas fui “fisgado” pela oportunidade de trabalhar na Petrobras (Distribuidora – BR) idéia que remonta aos meus tempos de ETFCE. Mantenho uma certa decepção por não ter terminado o doutorado, já que não gosto de deixar coisas inacabadas, mas isso fica como plano para o futuro…

Nasci em Fortaleza, mas atualmente vivo no Rio de Janeiro, onde vim com a Cris, minha esposa, para trabalhar. Fortaleza e Rio têm muitas semelhanças e diferenças. A principal semelhança é que são cidades praianas, se bem que pra mim o Rio é cidade praiana 7 dias por semana e Fortaleza só no fim-de semana. Em compensação faz muito mais sol em Fortaleza do que no Rio, que está sempre sujeito a “frentes frias”. Do ponto de vista cultural acho que fica difícil competir com uma cidade que foi o cenário principal da maior parte da nossa história desde o Império até a construção de Brasília (e mesmo após isso). Hoje a cidade tem um certo ar de “decadência” econômica que só não é pior por que na década de 70 descobriram petróleo na Bacia de Campos..