Os Cabeças-de-Planilha, de Luis Nassif
Eu acabei de ler o livro do Luis Nassif, Os Cabeças-de-Planilha. Como já disse no meu twitter pude entender um pouco melhor o meu país.
Já acompanho o blog do Luis Nassif há algum tempo e o conheço como comentarista de TV há mais tempo ainda. No livro, Nassif é bastante crítico do Estado voltado para o mercado financeiro, em detrimento das atividades produtivas, explicitando como os economistas que elaboraram e implementaram o “Plano Real”, em 1994, tomaram decisões que favoreceram o ganho de dinheiro pelo mercado financeiro, para depois se beneficiarem, como sócios ou administradores de empresas do setor.
No livro também há uma entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mostrando que mesmo com toda a sua erudição acadêmica, ele não podia saber tudo e ficou vendido nas mãos desta equipe econômica. Argumenta que o importante foi a eficácia do Plano Real em acabar com a inflação, mesmo que o custo tenha sido o do endividamento do país e conseqüente enriquecimento de elites financeiras.
Na entrevista, FHC deixou claro também que a política, mais do que a arte de fazer escolhas, é a de fazer o que é possível, em que mesmo um presidente bastante popular e preparado como ele não teve poder para realizar as mudanças que, na opinião de Nassif, teriam colocado o Brasil rumo a tornar-se um país de destaque no cenário mundial e não a economia satélite que é e sempre foi, muito pelas descisões tomadas, também em outros episódios, beneficiando a elites nacionais e não a toda a população.

Quando se fala em crime organizado no Brasil a primeira lembrança que me chega é a da turma do tráfico de drogas. É inegável que é preciso organização para trazer a droga da fonte (Colômbia, p.e.) até os morros cariocas. Mais ainda para defender territórios e fazer a grana circular. Se o crime fosse tão organizado quanto dizem, já teriam dominado a cidade tal a falta de resistência representada pela polícia e poder público em geral. Minha tese é que na verdade a coisa funciona mesmo porque tem muito dinheiro em jogo. Só isso justifica que mesmo a polícia apreendendo grandes quantidades de droga os empreendimentos não quebrem. O lucro é tanto que consegue compensar as ineficiências do processo. 

