Hoje li no “O Globo” que o ministério público tem lutado para proibir uma série de agrotóxicos que já foram banidos em outros países. A reportagem do jornal destaca inclusive que após a proibição no exterior, a importação destes produtos no Brasil crescia bastante.
Não sou especialista da área, mas já estagiei num laboratório de uma empresa nacional do setor. Antes de mais nada temos de lembrar que esse negócio envolve pesos pesados , multinacionais, como Bayer e Monsanto, e empresas nacionais. A empresa onde trabalhei tinha uma pequena fatia do mercado, mesmo assim, o dono era um dos principais empresários do Ceará. Ou seja, estamos falando de muito dinheiro…
Segundo me consta, o grande patrimônio da empresa não era sua estrutura física (estamos falando de armazéns de matéria-primas e produto acabado, misturadora e envazadora), nem o know-how do processo (basicamente uma mistura princípio ativo/diluente), mas sim as “marcas” registradas da empresa, uma formulação registrada nos ministérios da saúde (ANVISA), da agricultura e meio ambiente (IBAMA) num processo caro e demorado, que levava anos, entre testes químicos, físicos e biológicos (fora a burocracia). Assim, para uma empresa se estabelecer no país, levaria bastante tempo e dinheiro, antes de rever o seu investimento. Não à toa muita gente desonesta entra no negócio da pirataria. Seria mais econômico uma empresa honesta comprar uma empresa estabelecida, que já tenha uma linha de produtos, do que investir numa nova empresa. Ou seja, a marca da empresa e dos produtos licenciados era o grande patrimônio da empresa em que estagiei e, creio eu, de qualquer empresa do setor.
Assim, sempre que um produto é proibido e retirado do mercado é como se um dos “ovos de ouro” da galinha virasse cinza. Não é de se admirar haver um lobby forte, além de ações jurídicas, para evitar que isso ocorra.
Por essas e outras que o melhor é seguir o vídeo abaixo, lavar bem os alimentos ou partir pros chamados produtos orgânicos, pois pelo visto é difícil que grandes corporações nacionais ou estrangeiras coloquem a saúde da população à frente do interesse público. Além disso, a reportagem d’o Globo mostra que quem deveria agir para proteger a população não tem conseguido, pelo menos não no mesmo ritmo de outros países, sem falar na ação política do sindicato dos produtores.