John Adams, Série da HBO
Estou, atualmente assistindo à série da HBO “John Adams“, com Paul Giamatti no personagem título e Laura Linney como sua esposa. John Adams foi o primeiro vice-presidente e segundo presidente da história dos EUA.
Neste início, a série mostra os “bastidores” do processo de independência dos EUA, incluindo as manobras políticas necessárias, já que não havia consenso sobre a questão entre todas as colônias e havia necessidade de apoio de outros países, particularmente da França, na linha do “inimigo do meu inimigo é meu amigo”. John Adams, assim como Benjamim Franklin e Thomas Jeferson tiveram papel decisivo nesse contexto. A trama se sai muito bem dramatizando e humanizando a história!
Enquanto John Adams atuava na linha de frente política da Independência americana, sua família continuava a viver em sua propriedade, correndo os riscos da guerra, doenças e o isolamento do chefa da família. Daí a importância dada pela série à esposa de John, Abiagail, que toma a direção da família e atua, pelo menos na história contada pelo filme, como importante conselheira de Adams.
Além das peripécias de John Adams pelo mundo vemos também o crescimento de seu filho, John Quincy Adams, que também seria presidente dos EUA, o que só seria repetido novamente com Bush Pai e Bush Filho.
A série destaca como o processo de independência foi difícil, tanto antes pela pressão da Inglaterra (óbvia), como durante pela reticência de várias colônias de enfrentar o jugo da metrópole, como depois pela dificuldade de se manter independente num mundo polarizado por Inglaterra e França (uma situação que mudaria no século XX, com EUA e URSS ocupando as vagas no jogo político mundial).
Outro foco da trama é o sacrifício da família Adams. John Adams passou mais da metade de sua vida longe de casa, como diplomata dos EUA na França, Países Baixos e Inglaterra. Mais tarde, com os filhos mais velhos, Abigail juntou-se ao marido, deixando os filhos com tutores.
John Adams é muito menos reconhecido na história americana que George Washington (que foi o General revolucionário, o guerrreiro) ou Thomas Jeferson (que foi o cérebro por traz da Constituição e, junto com Benjamin Franklin, o articulador dos apoio decisivo da França). Basta ver as “caras” das notas de dólar, onde temos os três, mas não John Adams, cujo papel político e como articulador era reconhecido pelos três e por outros de seus contemporâneos, mas cujo pael não perdurou na história (como, aliás, previa o próprio Adams).
Essa falta de reconhecimento popular ao sacrifício pessoal de Adams ao ideário revolucionário americano foi o aspecto mais dramático da série, que propositalmente não mostra episódios da histório da qual Adams não participou.
O Box Fechado tem uma boa análise sobre a série, como no trecho abaixo
“Adams foi um homem racional, entretanto também foi impetuosamente impulsivo, do tipo que agia sem pensar. Apesar de humilde, ele foi muito ambicioso. Foi um homem simples, mas muito vaidoso. Amou sua família, entretanto passou metade de sua vida longe deles. E Paul retratou isso tudo sem medo algum, com verruga e tudo mais.”
Vale dar uma boa olhada em mais essa série caprichada da HBO, que rendeu vários prêmios e vale mais que a imensa maioria dos filmes que passam no cinema hoje em dia.
Site oficial do filme neste link.
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