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O Pecado Mora na Empresa ao Lado

O acidente no vôo AF447 da Air France é uma tentação para a busca de culpados. Acontece que acidentes existem. Nem sempre há uma história de terrorismo ou negligência por trás de uma tragédia. A natureza humana continua buscando uma explicação com uma expectativa alimentada pela mídia.

Não sei se um dia saberemos o que causou a queda do avião. Nem se a explicação corresponderá à realidade. O que sei é que neste momento, sem caixa-preta, sem investigação, não dá para apontar nenhum culpado. A análise do acidente pode levar muito tempo, mas muitos continuam na
expectativa de um culpado, nem que seja um raio ou um tubo de pitot.

No acidente da TAM, o culpado era o Brasil, que tinha elegido políticos incompetentes para gerir Infraero e ANAC. Agora a causa pode ter sido uma falha do sensor do avião. Desde que deixei a faculdade que não ouvia falar do tubo de pitot. E se for mesmo ele o culpado, como não podem fazer nada contra o Pitot, vão culpar a Air France e a Airbus por não terem trocado a peça.

O nome disso, para mim, é caça às bruxas e geralmente não acaba bem. Normamente esses argumentos não se sustentam a uma análise mais cuidadosa e a Justiça não costuma considerá-las, deixando uma sensação incorreta de impunidade no ar.


Imagem de gin soak

Pelo que soube a Air France é uma empresa séria, mas Dilbert não nos deixa mentir: toda empresa comete seus pecados. E geralmente são muitas. A melhor empresa do mundo certamente comete falhas e tem muito a melhorar (a Apple precisa no mínimo melhorar o humor do Steve Jobs). Se a ausência de defeitos for requisito para as empresas funcionarem teríamos de fechar todas. O que acontece na prática é que em geral as falhas corporativas não matam ninguém e no máximo deixam alguns clientes infelizes e alguns advogados ocupados.

Mesmo que se descubra que a Air France ou Airbus tenham falhado em não trocar uma peça do avião espera-se que  ela pague pelo erro na justiça, tire o maior número de lições possíveis e continue tentando fazer aviões melhores e mais seguros.

Não dá para ninguém se revoltar por que uma empresa evitou um custo estatisticamente improvável, pois as empresas costumam cometer erros ainda mais primários, o que garante o emprego de muitos consultores e advogados. Cabe aos órgãos de controle criar mecanismos que garantam que tais erros resultem em falências e não em óbitos.


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